Tatuí Cidade Ternura

-Que cidade é esta que chamamos carinhosamente de ternura? A ressonância real da cidade de Tatuí através da viva voz de seu povo.Um espaço de influências e formação,um centro de referências e valores.Um arquivo disponível à pesquisa e estudo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

PROJETO LIVRO DE RUA-POESIA DE CRISTINA SIQUEIRA-JORNALISTA GILBERTO DIMENSTEIN




Para o jornalista da Folha de São Paulo Gilberto Dimenstein,convidado a fazer a abertura do 3°Congresso de Educação de Tatuí,a cidade de Tatuí é referência em literatura/educação pelo valor do Projeto Livro de Rua aqui realizado “a única cidade do país e do mundo a ter poesia estampada em suas ruas. “ Dimenstein sabe desta minha ambição ,essa coisa quase impossível de querer transformar a cidade em um “grande livro desencadernado e espalhado pelos espaços públicos a céu aberto.”,palavras textuais da Prof.Dra da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto Lucília Maria Sousa Romão.

Na época em que o Livro de Rua aconteceu em Tatuí Dimenstein publicou em sua coluna da Folha de São Paulo: ”Existe um extraordinário projeto comunitário,usando a língua portuguesa,realizado em Tatuí,interior do Estado de São Paulo .Indo contra as pragas das pichações Cristina Siqueira com a parceria de um artista plástico,inundou os muros da cidade com poesia .Não apenas ninguém teve coragem de rabiscá-los como professores passeiam com os alunos para estimulá-los a ler ao ar livre.”

Movidas pelas palavras do jornalista num auditório com mais de 500 pessoas ligadas á educação inúmeras pessoas me procuraram para reportar o relevo dado ao Livro de Rua por conceituado e prestigiado visitante . Este fato ,para mim profundamente significativo pelo reconhecimento crítico além das fronteiras da cidade me tocou como um merecido acerto do destino que se multiplica a cada cumprimento amigo e se efetiva ao saber do empenho publicamente assumido pelo Prefeito Luís Gonzaga Vieira de Camargo de impulsionar a realização do projeto Livro de Rua em Tatuí.Desta claridade,destes muros convertidos em linguagem quero tornar público um email que recebi da Professora Rosi Elena Baltazar da Escola Estadual Professor Fernando Guedes de Moraes por ocasião do último aniversário da cidade.

Meu nome é Rosí Elena Balthazar, sou professora na E.E. Prof. º Fernando Guedes de Moraes e quando cheguei em Tatuí, em 2002 e me encontrei com uma de suas poesias (na Rodoviária) achei lindíssima, adorei a poesia e admirei a iniciativa , mas não sabia das outras e nem de você. Conheci a obra e a poetisa através dos muros. E a cada encontro com um de seus muros tinha a impressão que se lesse a poesia em voz alta, a qualquer momento, se abriria uma porta encantada, para mim o muro era o começo e não o fim... se tornaram parte de mim. Em 2007 fiz um projeto na escola com o “Livro de Rua”, os alunos do 1º Ensino Médio conheceram o livro, a escritora e as poesias... Uma a uma, das que restavam. Foi um sucesso! Os alunos pesquisaram, filmaram, fizeram reproduções... Enfim só faltou conhecer você pessoalmente. Agora para fechar com chave de ouro, a escola resolveu homenagear você como “filha ilustre de Tatuí”, no desfile de 11 de agosto.E se possível gostaríamos que você nos informasse respondendo as nossas perguntas sobre o Projeto Livro de Rua.

Oi Rosi,

Acabei de ler o seu email que muito me emocionou.O trabalho que foi realizado na Escola Fernando Guedes de Morais em 2007 foi maravilhoso.
O que mais me gratifica é sentir o resultado do Projeto Livro de Rua anos depois ,através de leitores sensíveis como você e seus alunos que tocados pela poesia se colocam no lugar do escritor e estão cobrando a continuidade deste projeto que tanto fez brilhar a escrita,a cultura literária e a cidade de Tatuí.
Este trabalho que esta sendo produzido em minha homenagem como "filha ilustre de Tatuí" no desfile de Xl de agosto em muito me dignifica e valoriza tudo que tenho entregue à cidade ao longo de mais de duas décadas.

  1. Como, quando e com que objetivo surgiu a idéia do Livro de Rua e das poesias nos muros.?

Em meados da década de 90 eu entendi de transformar a minha casa em um ponto de cultura.Sempre minha vida foi dedicada a educação, às artes e à literatura.Iniciei minha carreira de professora lecionando nas escolas rurais do vizinho município de Guarei.Morei durante 17 anos na cidade de Belo Horizonte desenvolvendo inúmeros trabalhos nas áreas cultural e pedagógica.Quando retornei à Tatuí,cidade que me viu crescer e onde residiam meus pais e meus filhos senti que a identidade da cidade era cultural a começar pelo escritor tatuiano Paulo Setúbal membro da Academia Brasileira de Letras e pelo plantel musical do Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí.Cultura não é algo que encontramos para comprar em qualquer esquina.Aos poucos fui criando movimentos culturais na minha casa,seguido depois por outros artistas que criaram seus próprios ateliês .Nessa ocasiâo com apoio do Luís Gonzaga Rocha Leite do Sítio do Carroção convidei o artista Cláudio Tozzi,reconhecido internacionalmente a montar uma exposição em minha casa.Quando êle aceitou o convite eu fiquei super feliz e ao mesmo tempo preocupada.-Como eu iria receber tão ilustre e famoso convidado em minha casa tão simples,sem segurança alguma e eu sem suporte financeiro para bancar os convites,divulgação e tudo o mais.Simplificando a história eu fechei a rua e fiz à mão com a minha letrinha de professora o primeiro poema no muro ao lado da minha casa gentilmente cedido pelo vizinho,com o objetivo de receber com poesia o convidado.Mesas e cadeiras na calçada,um pequeno coquetel e os amigos que vieram prestigiar o espaço trouxeram brilho ,calor e animação ao evento.O pintor famoso se sentiu em casa e eu em júbilo pelo sucesso da exposição.Deste primeiro poema de nome Liberdade me ocorreu criar um livro pelas ruas de Tatuí.Entusiamada por um amigo formatei o Projeto Livro de Rua e o encaminhei ao Ministério da Cultura.Após a aprovação do projeto pela Lei Rouanet quase que na sequência surgiu um patrocinador .


2-A Via Engenharia S/A sustentou financeiramente o projeto sob o incentivo do Ministério da Cultura, segundo o seu livro. Sendo assim, quem você colocaria como responsável pela preservação desse trabalho?

Todo e qualquer projeto cultural realizado em um cidade passa a ser patrimônio daquela cidade e deverá ser preservado pelas autoridades do município ou seja Prefeitura e Secretaria de Cultura.Veja você,na Praça do Museu Paulo Setúbal outro dia veio ao chão o busto de Getúlio Vargas, na seqüência e prontamente a prefeitura tomou providências para que a estátua voltasse ao seu pedestal.No caso do Livro de Rua apesar do trabalho junto às escolas ser largamente noticiado e reiteradas vezes eu ter buscado apoio para restaurá-lo e continuar me vi falando sózinha.Quando idealizei o projeto previ que a arte nos muros poderia ser efêmera por inúmeras razões daí entendi de revelá-la no Livro Por Trás dos Muros e em cartões postais.Hoje este projeto faz parte do Patrimônio subjetivo da cidade. Acredito que agora com o Prefeito Gonzaga que é tatuiano e envolvido com as causas edificantes para a cidade, e com o suporte das Secretarias de Cultura e Educação que hoje são realidade será possível retomar o projeto.Fica assim registrado o meu empenho e intenção de continuar com o Projeto Livro de Rua. Na verdade sempre que convidada eu levo esta história do Livro de Rua em palestras nas escolas,empresas.Enfim,12 anos se passaram e o Livro de Rua continua vivo na memória do povo e rendendo divisas culturais como referência pedagógica.

A trajetória deste projeto é bastante abrangente,o Livro de Rua em seus cartões postais é material de apoio didático na forma de software para a alfabetização de jovens, adultos

e idosos do Projeto Luz e Letras da rede pública estadual,da Secretaria de Estado da Educação do Paraná-através do seu departamento de Educação de jovens e adultos.

Poemas de minha autoria são apresentados em livros didáticos da Editora Scipione,distribuídos em escolas públicas do Brasil.

Se um dia você visitar a Universidade de Coimbra em Portugal lá você encontrará um exemplar autografado do Livro de Rua.Certa vez ,estando em Sedona nos Estados Unidos em um encontro promovido pela Unesco em favor da Paz eu presenteei um dos dirigentes com um livro e ele ao ler o poema “Meus nervos estão esticados/como cordas de violino/ de tanto andar na corda bamba/com a corda no pescoço”ficou visivelmente emocionado e queria entender como um poema de teor sofrido pôde ser ilustrado com uma bailarina leve e graciosa se equilibrando num fio infinito projetado no espaço,criação de Jaime Pinheiro.Pois é ,no Brasil é assim ,não é?

2-Quais eram suas expectativas com relação a esse trabalho?

Dar poesia ao povo é um princípio de ajuda coletiva,é fornecer educação nas ruas em todos os momentos.A aprendizagem se faz naturalmente em um processo espontâneo.Cultura de boa qualidade e acessível a todos é a minha oferta para uma efetiva mudança social e de sensibilização através da poesia.
Eu acredito que a poesia nas ruas humaniza as pessoas .Atua como um antídoto a este mundo que a cada vez mais esta se tornando frio,sem valores éticos,sem referências estéticas. Desperta o prazer da leitura.É um projeto não só lírico e belo mas naturalmente pedagógico.A minha expectativa maior era realmente transformar a cidade em um livro.Sem sombra de dúvidas é evidente que o Projeto Livro de Rua atrairia turismo para Tatuí principalmente por ter seu produto final em cartões postais.

3-O seu “Livro de Rua” é um diferencial da cidade, Tatuí antes e depois das poesias nos muros. Há possibilidade de repetir o projeto? Por quê?


Acredito que este projeto além de inédito é super atual e sinto a necessidade de reeditá-lo em um novo formato e usando das suas palavras
"E a cada encontro com um de seus muros tinha a impressão que se lesse a poesia em voz alta, a qualquer momento, se abriria uma porta encantada, para mim o muro era o começo e não o fim... se tornara parte de mim."
Quem sabe agora é chegado o momento.Outro dia tocada pelas bordadeiras na Praça da Matriz escrevi um poema que fala de amor a esta praça que na sua mudez de praça me viu brincar,crescer,namorar e voltar para lhe dedicar um poema.Para mim Tatuí é ternura,música e este reconhecimento que recebo das pessoas.

No ano de 2004 consegui com o apoio de empresários,comerciantes,profissionais liberais ,amigos , leitores e entrevistados de Prisma,página que assino no Jornal O

Progresso de Tatuí o suporte financeiro para editar o Livro Prisma.Graças a Deus Tatuí sempre me prestigia na produção dos meus trabalhos.

Acredito que pela união das forças políticas e empresariais da cidade conseguirei subsídios de patrocínio para a produção da reedição deste projeto já aprovado pela Lei Rouanet.Quero trazer para a realidade a força da inspiração poética.E nós podemos.

Agradeço a iniciativa da Professora Maria Aparecida,diretora da Escola Estadual

Fernando Guedes de Moraes em me prestar esta homenagem e através de você Rosi

agradeço e homenageio a todos os professores que amam a seus alunos e se dedicam em fazer da educação a base para um país mais evoluído.

Cristina,

Sentimos muito quando vimos desaparecer dos muros as suas poesias... Afinal é sempre bom chegar ou partir com poesias, ficamos menos solitários.

Obrigada

Rosi Baltazar

2 comentários:

Estela disse...

Homenagem bem merecida. Espalhar a poesia pelos muros é um ato de amor, uma declaração a céu aberto.
Deveria existir mais projetos como este, o mundo está precisando disto, espero que essa idéia se espalhe e se multiplique.
Bjs.

C NARCISO disse...

Olá Cris!

Muitos parabéns pelo seu magnífico trabalho! Sua força é doce inspiração!
Faço votos para que continue a prendar-nos com os seus poemas maravilhosos e a inspirar-nos com essa sua força e dedicação, que deve servir-nos de exemplo.

CN